quinta-feira, 20 de março de 2014

Radiação ultravioleta

A radiação ultravioleta é dividida em três partes, de acordo com a região do espectro de ondas em que se encontra:
Radiação UV-A: se estende desde 320 a 400 nanômetros (nm);
Radiação UV-B: ocupa a faixa de 280-320 nanômetros (nm);
Radiação UV-C: vai da faixa de 280 a comprimentos de onda menores.
As radiações UV-B e UV-A não é absorvida pela atmosfera sendo importante se proteger. Já a UV-C é totalmente absorvida pela atmosfera terrestre e por isso não participa das medidas feitas na superfície da Terra.
 Dependendo do comprimento de onda, a exposição à radiação ultravioleta, assim como outras radiações, pode trazer prejuízos aos olhos. Há efeitos que ocorrem a curto prazo e a longo prazo.
 Um tecido do globo ocular, chamado cristalino é capaz de oferecer proteção às radiações UV. Cirugias, como a de catarata retira essa proteção. Crianças e bebês são mais expostos aos danos, pois, essa área é transparente.
Para os adultos, o risco é minimizado, e o cristalino, como é mais opaco, oferece maior absorção. Inflamações da córnea e da conjuntiva (tecidos do olho) acontecem devido às radiações UVB. Já nas pálpebras são verificadas as lesões malignas. Radiação UVA é a responsável pelo aparecimento da catarata. Por isso, é aconselhável a utilização de lentes adequadas, capazes de eliminar mais de 99% dos UV, evitando incômodos maiores.
Algumas doenças ocasionadas pela exposição intensa aos raios UV:
  • Câncer de pele ao redor dos olhos (carcinoma das células basais) – Ocorre nas pálpebras, em sua maioria nas inferiores. O câncer pode ocorrer, também, em regiões próximas à sobrancelhas, nos cantos dos olhos e na face
  • Catarata - Ocorre no interior do olho. Ao adquirir a doença, a lente do olho perde sua transparência, causa da cegueira de muitos adultos idosos.


Sintomas:

Visão embaçada;
Impressão de cores desbotadas;
Dificuldade para enxergar à noite e com muita luz;
Visão de círculos luminosos ao redor da luz e visão dupla.

  • Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) – A doença afeta a parte do olho onde são vistos os detalhes (mácula). Pode ser úmida, que se desenvolve rapidamente e resulta na perda da visão; ou seca, que evolui de forma gradual, proporcionando uma visão central desfocada.


Sintomas:

Visão desfocada;
Desconhecimento de rostos;
Dificuldade na leitura, é preciso maior iluminação.

Ocorrência: Pessoas acima de 55 anos de idade.

Tratamento: A DMRI não tem cura, mas é possível diminuir o seu impacto, se for descoberta cedo.

  • Fotoqueratite - Ocorre em ambientes capazes de refletir a luz solar, como: praias, piscinas, neve etc. A doença é temporária e melhora após alguns dias.

Sintomas:

Dor nos olhos;
Pálpebras inchadas;
Dificuldade em enxergar;
Sensação de areia nos olhos;
Lacrimejamento.

Solução pratica usar óculos de sol com proteção de 99 a 100% de proteção UV.
  

          
                                                                                                                vandeir_junior@hotmail.com
                 
 


sábado, 8 de fevereiro de 2014

A importância da curva base



Com certeza você que trabalha como consultor de vendas de uma óptica, já prometeu um óculos com acabamento x para o seu cliente, e ao retorna do processo de fabricação e de montagem se deparou com um acabamento y, ou seja, não ficou conforme o combinado entre você e o cliente. Nesse processo pode te ocorrido em números fatores, mais quero ressaltar aqui a importância da curva base que influência diretamente no acabamento final de uma lente, e principalmente na dioptria.
O acabamento de uma lente com uma curva base que não seja ideal tanto para a armação como para dioptria pode acarreta diversos problemas na montagem dos óculos, e na adaptação do usuário do óculos. Mais como saber a curva base para cada dioptria? Existem algumas curvas utilizadas pelos laboratórios que é a curva real, a curva real é calculada em função do índice de refração de cada material de lente utilizado. E a curva nominal que vem impressa nas embalagens dos blocos de lentes semi-acabadas. E hoje nos laboratórios quase não se usam muitos cálculos manuais, por que os geradores utilizados nos laboratórios possuem softwares avançado e atualizados que fazem todo esse processo de cálculos.  Mais existe um calculo bastante utilizados por consultores ópticos na hora de solicitar a curva base para o laboratório que é:  CB= D/2 +6. (Curva base é igual, dioptria divido por dois, mais seis). Se a dioptria for esférica e cilíndrica deve se fazer a transposição para saber qual vai prevalecer, e teremos a curva  base ideal.
Outra regra bastante utilizada é: Quanto maior a hipermetropia maior será a curva base. Quanto maior for à miopia menor será a curva base utilizada. Mais somente a curva base ideal, não é suficiente pra termos um resultado almejado e esperado. Precisamos levar em consideração a curvatura do óculos escolhido pelo cliente. Para encontra a curvatura do óculos e necessário o consultor óptico ter em mãos um esferômetro que é uma ferramenta muito  pratico para descobrir a curva base de uma lente. Principalmente as que estão montadas nos óculos que vai ser utilizado no processo de montagem. Colocando o esferômetro no centro da lente descobriremos a curva base usada naquele óculo, e teremos então a curvatura que foi usada na montagem do óculos escolhido, evitando um acabamento indesejado.
Existem alguns problemas relacionados a curva base, por exemplo: Quando um usuário de óculos tem algum tipo de ametropia ocular com altas dioptrias, tem uma certa tendência de ter uma sensibilidade maior, principalmente quando o usuário estar acostumado com uma curva base, e se na hora de trocar a lentes do óculos mudar a curva base, os que tem uma sensibilidade maior pode não acostumar com a nova curva base usada na fabricação das novas lentes e assim o processo de adaptação pode ser mais demorado e em alguns casos o usuário não adaptar com a nova curva. Outro problema que pode acontecer é na montagem dos óculos, principalmente na hora da escolha da curva base, escolher uma curva base inadequada para o aro do óculos. O que mais acontece é que na hora de encaixar as lentes no aro da armação do óculos, as lentes não param, e perde o ajuste original do óculos, e se força para montar uma curva inadequada em um determinado óculos, comprometemos  toda a estética e perdemos a originalidade do modelo do óculos. Outro fato bastante comum é quando escolhe uma curva inadequada para determinadas dioptrias. Quando isso acontece na maioria das vezes na surfaçagem, os surfaçagistas não consegue chegar a uma dioptria exata gerando assim vários retrabalho, e acaba atrasando o processo de fabricação. Quando escolhe uma curva base errada para certas dioptrias, a grande maioria dos os usuários sente de imediato um certo desconforto na periferia da lente, gerando assim um astigmatismo marginal, e isso pode atrapalhar o processo de adaptação no uso do óculos.
Por isso que é inevitável fazer uma escolha bem feita das curvas bases a serem usadas nos óculos e nas dioptrias. Por que assim estaremos buscando a qualidade dos nossos serviços, e a satisfação do nosso cliente, e evitando transtornos pós venda. Pense nisso, e até a próxima!
                                                                           Vandeir Junior 
vandeir_junior@yahoo.com.br

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A importância das medidas na adaptação das lentes progressivas

               
Escolhi esse assunto por que é muito importante no processo de adaptação das lentes progressivas.  As lentes progressivas possuem uma estrutura dividida em um campo de visão de longe, um corredor progressivo, campo de visão de perto e as zonas de distorções cromáticas situada na periferia das lentes que fica aproximadamente das bordas.
Para uma adaptação eficaz desse tipo de lente oftálmica é necessário muito rigor nas medias, por que são as medidas que vão definir uma centralização e uma melhor transição do olho do usuário, ao que chamamos corredor progressivo, que liga o campo de longe ao perto progressivamente. Quando a DNP (distância naso pupilar) é tirada de uma forma errônea, e fica milimetricamente errada, o usuário não consegue ter uma acuidade visual nítida em alguns casos. O que pode acontecer nesses casos é o usuário na hora de converge os olhos para olhar para perto, ele pode enxergar fora do que chamamos corredor progressivo devido a DNP não esta centralizada com o centro pupilar do usuário e o centr   o geométrico da lente progressiva, e o usuário passa a enxerga na zona de distorção cromática fora do corredor progressivo. 
E esse usuário possivelmente pode não enxerga com nitidez tanto para longe, quanto para perto. E podendo até mesmo gerar prismas indesejados na lente.                                                                             O mesmo acontece quando tiramos a chamada altura de montagem das lentes progressivas, que com um pincel reto projetor marcamos o centro pupilar que situa em cima da pupila até o aro inferior da armação. Quando essa altura é tirada um pouco acima da linha da pupila, o usuário ao olhar para longe ele enxergara no corredor progressivo e não no campo de longe, tirando toda e qualquer nitidez da visão de longe desse usuário. Notamos isso quando o usuário abaixa os óculos além do normal para ter uma visão nítida de longe. 
Quando a altura de montagem é tirada um pouco abaixo da linha da pupila, o usuário terá certa dificuldade ao enxergar para perto. E fica notável quando o usuário levanta os óculos um pouco acima do normal para ter uma visão nítida de perto. Quando a armação possui plaquetas podemos em alguns casos compensar essa diferença de altura no ajuste das plaquetas.
Para uma adaptação saudável e confortável dos novos usuários das lentes progressivas, as medidas como DNP e altura do centro óptico, devem estar perfeitamente centradas. Hoje podemos dizer que a maioria dos casos de não adaptação com as lentes multifocais do tipo progressivas está ligada as medidas de montagem das lentes. Visando isso, é fundamental que os novos consultores ópticos tenham uma orientação eficaz, seguida de treinamentos com as diversas técnicas de medidas, para uma tomada de medida eficiente e objetiva. E assim deixaremos de nos atentar a vender apenas um óculos, e passaremos a vender saúde visual.
                                                                                                               
                                                                                        Vandeir Junior CROO 3462
vandeir_junior@yahoo.com.br

                                            

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A importância dos óculos de sol

Algumas pessoas com certeza já se queixou para você o porquê de não usa óculos de sol, e a resposta na grande maioria das vezes é essa: É porque sinto dores de cabeça, e um certo desconforto visual? E isso é comum ouvir de usuários de óculos solares. O que causa esse desconforto? Não só a questão da proteção UV, outra questão pouco comentada é a formação de pequenos prismas, formados pela curvatura das lentes “planas” ou de pequenos prismas indesejados no ato de fabricação das lentes, dispostos de uma maneira errado encontrado em óculos paralelos.Alguns óculos solares têm suas lentes com uma pequena inclinação, no sentido horizontal, ficando as bordas temporais mais próximas dos olhos, do que as bordas nasais. A causa é a alta curvatura das lentes que as aproximam mais do lado temporal do que o lado nasal. Isso gera um pequeno prisma, pela inclinação da lente. Isto obriga os olhos a tomarem uma distância pupilar maior, que incomoda o usuário. Incomoda por que olhos estão acostumados a convergir, quando olhamos para perto e esse exercício dos olhos é natural, mas ao contrário, quando divergem, torna-se incomodo. Sabemos que alguns fabricantes de óculos solar já fazem uma compensação prismática para evitar o chamado desconforto visual tão questionada pelo o usuário.
Outra pergunta bastante comum feita pelos usuários de óculos é: “ Esse óculos tem proteção Ultra Violeta (UV)”. Para entendermos melhor, é fundamental saber que a Radiação Ultra Violeta é considerado um fenômeno físico, por que é uma onda. A radiação Ultra Violenta é o comprimento de onda menor que 400nm (nanômetro). Sua principal fonte é o sol, lembrando que algumas lâmpadas também emitem radiação UV. Os raios UV são classificados UVA com o comprimento de onda de 320 a 400nm. UVB com o comprimento de onda de 280 a 320 e UVC de 200 a 280nm. Essas radiações ultra violeta podem causar danos para nossa saúde visual. A exposição dos nossos olhos aos raios UV pode gerar alguns danos e patologias oculares por exemplo,  Fotoqueratite, catarata, diminuição da visão, hemorragia intraocular, alterações na percepção de cores, queimaduras superficiais, pterígio, dentre outras. O melhor mesmo é a prevenção com óculos de sol de qualidade.
E é por isso que os profissionais do seguimento óptico deve orientar os usuários do perigo que é para saúde visual comprar replicas de óculos nas ruas e em mercados populares. Procure especialista na área para indicar o melhor para você, lembre-se com saúde não se brinca.

    vandeir_junior@hotmail.com                                      Vandeir Junior

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A história dos óculos

O fato é que, mais cedo ou mais tarde, a quase totalidade da população mundial acabará necessitando usar óculos em alguma fase de sua vida. Mesmo com o avanço da Oftalmologia, com a invenção das lentes de contato e as últimas conquistas da Cirurgia Refrativa, os óculos continuam sendo o instrumento mais usado, mais seguro e mais prático para a Humanidade enxergar melhor.
Estudo apresentado no "XXII Congress of the Pan American Association of Ophthalmology" realizado em Orlando, USA, revela que 60 % da população dos Estados Unidos da América do Norte, cerca de 160 milhões de pessoas, usam óculos sob prescrição médica. O estudo mostra ainda que 30 % da renda total recebida pelos médicos Oftalmologistas americanos é proveniente da atividade relacionada com os óculos e lentes de contato.

Fato este que determina esta atividade como sua principal fonte renda em comparação com a renda atribuída ao tratamento de doenças oculares (21 %), cirurgia, incluindo a moderna cirurgia refrativa (23 %) e outras atividades, tais como ensino, pesquisa, administração, perícias, etc. somando em conjunto 26 %.
As lentes transformaram a ciência e a cultura através do microscópio e do telescópio, possibilitando o descobrimento de outros mundos: o microcosmo dos micróbios, vírus e átomos e o macrocosmo das longínquas galáxias. A invenção dos óculos revolucionou a vida dos homens possibilitando um aumento na sua capacidade visual.
As origens
Desde a Antiguidade, a história do homem na Terra é marcada por tentativas de enxergar mais e melhor. Os primeiros registros históricos sobre a existência de lentes rudimentares foram escritos na China pelo filósofo Confúcio, em 500 AC. Estas lentes primitivas eram feitas de cristais com um polimento tosco e não eram óculos propriamente ditos, como os conhecemos hoje em dia. Acreditava-se que tinham várias propriedades medicinais além de prolongar a vida das pessoas. Tinham força como amuleto, mas ainda eram de uso visual limitado.
Mesmo durante o Império Romano ainda não existiam óculos. Marcus Tulius Cícero, senador de Roma, grande escritor e eloqüente orador, em 62 AC, escreveu uma carta a seu amigo Atticus, mencionando que a idade estava chegando e sua visão vinha diminuindo ao ponto que já não conseguia mais ler sozinho. A solução encontrada foi que Marcus Tulius Cícero teve que comprar escravos especialmente para ler.

Pedras de leitura
Embora Ptolomeu, no Egito, descobrisse leis ópticas fundamentais da refração da luz por volta do ano 150 da era Cristã, somente na Idade Média os monges começaram a desenvolver a chamada "pedra de leitura", segundo as teorias mais aperfeiçoadas do matemático árabe Alhazen, que viveu em Basra aproximadamente no ano 1000 depois de Cristo.

Esta pedra funcionava como uma lupa primitiva que aumentava o tamanho das letras, e era composta basicamente de cristal de quartzo hialino ou de pedras semipreciosas que tinham lapidação e polimento. Uma das pedras mais cobiçadas era o Berilo por seu brilho, beleza e grande transparência. Aliás, foi do seu nome que derivou a palavra "brilho".
Uma destas primeiras pedras de leitura é representada fielmente no livro e filme de Umberto Eco - "O Nome da Rosa", onde ele mostra bem o grande valor e poder que essas pedras tinham naquela época.
Em 1267, o monge franciscano britânico, Roger Bacon, conhecido como "Doutor admirável", conseguiu demonstrar que pessoas com deficiência visual conseguiam ver melhor através de lentes lapidadas, levando ao Papa um exemplar de uma destas lentes de leitura.

Naquela época, os antigos viajantes que se aventuravam e conseguiam retornar vivos das viagens ao extremo Oriente contavam que os chineses já faziam uso de óculos no início do primeiro milênio da era Cristã. Marco Polo relatou em seu livro sobre suas viagens ao Oriente que óculos eram de uso corrente na China, na corte de Kublai Khan, por volta do ano 1275 AD.
fabricação
Entretanto a verdadeira origem dos óculos tem levantado muitas conjecturas e controvérsias e nem todas são baseadas em evidências históricas precisas. De fato, não existiu um único inventor dos óculos, mas sim inúmeras pessoas anônimas, tanto no Oriente quanto no Ocidente, que foram contribuindo aos poucos, ao longo dos anos, para aperfeiçoar este valioso instrumento visual para a humanidade.
Tudo indica que uma armação montada com um par de lentes para se colocar na frente dos dois olhos, com a finalidade de leitura, surgiu em Veneza entre 1270 e 1280, pois esta próspera cidade e a vizinha ilha de Murano dominavam o comércio de vidro naquela época. Ao mesmo tempo também, no extremo Oriente, se desenvolvia na China o aperfeiçoamento dos óculos, pois o conhecimento se intercambiava depressa ao longo das rotas de comércio na Ásia Central abertas por Genghis Khan.
É interessante citar que na igreja Santa Maria Maggiore de Florença, no túmulo de Salvino d´Armato, morto em 1317, está gravada na sua lápide a seguinte inscrição:
"Aqui jaz Salvino d´Armato, de Florença, Inventor dos óculos; Deus perdoe seus pecados. Anno D. MCCCXVII".
No entanto essa paternidade é controversa, a começar pela construção do seu próprio túmulo com um busto de um desconhecido Greco-Romano do ano 100 A D.        
Na Renascença, o desenvolvimento intelectual e cultural aumentou de forma muito acentuada paralelamente ao desenvolvimento técnico e científico. E certamente existiram dois grandes marcos nesta evolução: um foi a invenção tipográfica por Gutemberg em 1440, e o outro foi a invenção dos óculos que possibilitou a leitura das letras pequeninas que surgiram com a imprensa. Naquela época, usar óculos significava ter um grande saber, denotava cultura e erudição e era símbolo de status e nobreza.

Na Europa daqueles tempos, os pioneiros na fabricação de lentes de cristal lapidado e vidros ópticos foram o vidreiros de Veneza, ficando famosa a oficina de arte vidreira de Murano. Lá foram produzidas as primeiras lentes lapidadas para a civilização ocidental enxergar melhor. Aos poucos este conhecimento foi se difundindo e se estabelecendo  em outras cidades da Europa, tais como Nuremberg e Augsburg na Alemanha e Rouen e Flanders na França.
Entretanto, não se encontravam óculos por toda parte. Eles eram raros, custavam caríssimo e eram considerados verdadeiras jóias. Seu valor era tal que eram relacionados em inventários de bens de família e deixados em testamentos como herança, assim como fez Charles V, o sábio, rei da França (1364-1380).
Existe um registro histórico na China, durante a dinastia Ming (1260-1368), que um rico senhor trocou uma parelha de finos cavalos de raça por um par de óculos.

Usos
No início eles começaram a ser usados somente para a visão de perto, para leitura, para corrigir a Presbiopia ou "vista cansada". Aos poucos eles passaram a ser usados também para a correção da Hipermetropia. Entretanto o primeiro registro do uso para a Miopia só foi feito em 1441 por Nicolaus Cusanus em seu livro "De Beryllo". Já a correção do Astigmatismo, por meio de lentes cilíndricas, só aconteceu bem mais tarde, na Inglaterra, em 1827.

Antes disso, em 1611, Kepler já havia introduzido o uso de prismas. E, em 1784, Benjamin Franklin, o famoso estadista americano, que também era inventor, cientista e filósofo, inventou os bifocais, que tanto benefícios trouxe às gerações futuras. A introdução dos multifocais só foi possível há relativamente pouco tempo, com o avanço da tecnologia de fabricação de lentes nos anos 70.
 
Lentes de Contato
A primazia das idéias relativas às lentes de contato está registrada nos escritos de Leonardo da Vinci (1452-1519). Apesar de outros antigos estudos teóricos realizados por René Descartes em 1637 e Thomas Young em 1827, a lente de contato só saiu do anonimato das pesquisas e se popularizou após 1950.

Artes
A primeira manifestação dos óculos nas artes é um quadro de Tommoso da Morena, datado de 1352, que está na Igreja de São Nicolo em Treviso, na Itália. Representa o rosto do Cardeal Hugo de Treviso usando um daqueles óculos primitivos que consistiam de duas lentes redondas com aros de metal unidas por um pino central em cima do dorso do nariz.   
São Jerônimo, padroeiro dos óticos, tradutor da Bíblia para a língua latina, conhecida como "Vulgata", sempre é representado junto com um leão, uma caveira e um par de óculos. Entretanto estas pinturas, realizadas em datas bem posteriores, tem um caráter  simbólico, pois na época em que viveu (347 AD - 420 AD) os óculos não tinham sido ainda inventados.

Na linguagem simbólica dos místicos cristãos podemos entender o leão como representando a força e a coragem, a caveira simbolizando a mortalidade do homem carnal e os óculos significando a visão, tanto a exterior, dos olhos como órgãos dos sentidos, quanto a visão interior da consciência.

Literatura
Na literatura, o livro mais antigo que trata dos óculos é o trabalho de Nicolaus Cusanus, publicado em 1441, intitulado "De berillo". Depois vem o "Uso de los antojos" de Benito Daça de Valdes (Sevilla, 1623). E "L´occhiale all´occhio" de Carlo Antonio Manzini (Bologna, 1660).

Armações
armaçãoOs óculos não nasceram com este aspecto que hoje os conhecemos. Percorreram um longo caminho, se modificando aos poucos até chegar na atual forma.
Os primeiros óculos eram feitos de uma só lente. Tanto que a palavra "óculo" significa apenas uma lente como um monóculo. O instrumento completo com duas lentes montadas em uma armação no rosto é denominado um "par de óculos" ou abreviadamente "óculos", no plural.
Os primeiros modelos eram constituídos por duas lentes presas no meio por um rebite, que se abriam ou fechavam em forma de "V" invertido, apoiando-se no dorso do nariz, sem as hastes laterais.
A mais antiga pintura de um par de óculos, datada de 1352, mostra duas lentes redondas como se fossem dois monóculos de metal presos no centro acima do nariz por um pino, ficando apoiado no dorso nasal.
Os óculos considerados os mais antigos ainda existentes encontram-se preservados no museu de Nuremberg e pertenceram ao Burgomestre de Nuremberg que viveu de 1470-1530. São constituídos de duas lentes biconvexas redondas unidas por uma sólida peça de couro.
Essas armações de couro foram sendo substituídas aos poucos por outros materiais: madeira, chifre, casca de tartaruga, osso, marfim e metais, tais como, ferro, prata, ouro e outras ligas. Novos materiais foram sendo desenvolvidos, modificados e introduzidos no mercado até chegar aos modernos e sofisticados  compostos plásticos, resinas, nylon e policarbonatos, sempre em busca de um melhor design, de mais conforto, durabilidade, leveza e resistência.
O primeiros óculos não tinham as hastes laterais e se apoiavam no nariz como os "Pince-nez", com uma ponte fixa e flexível que se prendia no nariz. Ou os "Lorgnon" que tinham uma haste lateral inferior para segurar com a mão.
No princípio a fixação era feita por cordéis ou fitas de couro amarradas atrás da cabeça ou passando por trás das orelhas pendendo sobre o peito com um contrapeso. Depois dos amarrilhos surgiram as hastes laterais com molas espirais pressionando as têmporas para segurar os óculos na posição.

Em 1730 foram inventadas as hastes laterais rígidas para se apoiar nas orelhas e posteriormente apareceram as hastes laterais com angulação para melhor apoio e fixação no dorso do pavilhão auditivo. Mais tarde, em 1752, foi inventado em Londres as hastes laterais dobráveis, facilitando bastante o manejo pelos usuários.
Lentes
As primeiras lentes eram fabricadas por artífices muito habilidosos que poliam e lapidavam os cristais de quartzo ou pedras semi-preciosas relativamente mais transparentes, tais como o topázio ou berilo, mas a tecnologia era primitiva e os óculos ficavam toscos e rudimentares. O desenvolvimento das lentes em maior escala e em melhor qualidade só foi possível com o desenvolvimento das lentes de vidro com boa qualidade óptica.
A existência do vidro remonta aos tempos pré-cristãos e existem registros históricos afirmando que no Egito, em 1500 A.C., já existia uma bem estabelecida indústria vidreira. Segundo a tradição acreditava-se que este conhecimento vinha do sábio alquimista Hermes Trimegisto.
O encontro de vidro nas ruínas de Pompéia confirmou que o fabrico de vidro já era bem estabelecido antes do ano 79 A. D., quando houve a grande erupção do Vesúvio.
Entretanto, o vidro só foi aperfeiçoado para ser usado como lente de óculos em Veneza no início do século XIV, ficando famosas as lentes produzidas na Oficina Vidreira de Murano. Mais tarde, no século XVI, floresceu na Alemanha uma indústria de produção de lentes de cristal de vidro de muito boa qualidade, particularmente na cidade de Nuremberg que se tornou-se um centro de alta reputação.
A invenção do telescópio por Galileu em 1608 foi um estímulo muito grande para o desenvolvimento de lentes de alta qualidade óptica.
fontes de pesquisas:
*Médico Oftalmologista formado pela FMUSP e residência médica no Hospital das Cntlínicas da FMUSP
*Médico Oftalmologista da Faculdade de Saúde Pública da USP
*Pós-graduação na University of Cambridge - Addenbrooke´s Hospital - Inglaterra
*Ex-Médico Supervisor da Clínica Oftalmológica do Hospital das Clínicas da FMUSP
*Título de Médico Especialista em Oftalmologia pela Associação Médica Brasileira e pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia
*Fellow of the American College of Surgeons - USA
*Membro do Instituto de Oftalmologia Barraquer - Barcelona - Espanha
*International Member of the American Academy of Ophthalmology - USA e http://www.opticanet.com.br
 vandeir_junior@hotmail.com
                                                                Vandeir Junior